Nojo
“... fui acordado. Aquela figura sinistra, com a cara cravada de sulcos rugosos, pesados dos dias que a idade carregava, acordou-me com os olhos humedecidos. Já me havia cruzado com ele algumas vezes na casa, mas acabava por avistá-lo com mais frequência na sua cadeira de baloiço a contemplar o final da tarde em Valpaços. Mas acordou-me e pediu-me para ir ver o cão que tinha deixado de ladrar. Ao abrir a porta da casota descubro os azulejos cravados de saliva, o pelo branco ainda húmido e os olhos, antigamente azuis, pálidos davam sinais de um ultimo suspiro.Fugiu, foi o que se contou aos miúdos, mas o dono, o pai, acabou por ficar com a coleira em prata que adornava o pelo ao animal...
Ainda não sei porque fui eu que tive de ver a bestialidade daquela situação, mas lembro-me sempre de viver aquele momento envolvido numa aborrecida náusea...”
Ainda não sei porque fui eu que tive de ver a bestialidade daquela situação, mas lembro-me sempre de viver aquele momento envolvido numa aborrecida náusea...”
nojo: repugnância; asco; repulsa;
náusea;
aborrecimento; fastio;
pesar; tristeza;
mas também pode significar luto;
(De enojo, deriv. regr. de enojar, com afér.)



